quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Area 51

Direção: Oren Peli, 2015.
Um found footage horrível com alienígenas. O filme conta a história de um grupo de amigos que decide investigar o que há na famosa Área 51, uma base estado-unidense que supostamente contém corpos de extraterrestes. Já não é uma das ideias mais originais que existe, e ainda mais com um found footage fica ainda mais clichê, porém existem casos que isso dá certo, o que não acontece por aqui, infelizmente. Eu queria sentir pelo menos um pouco de medo com esse filme, pois ele se vende como um suspense e terror, só que nada dá certo.


No final do filme eu fiquei com aquele gosto amargo na boca, pois o longa tem um ritmo bacana até, o desenrolar da história é OK, você finge acreditar para o filme não perder a graça, mas quando chega ao final, é uma catástrofe. Além disso, quando acabou o filme eu tive aquela sensação de já ter visto o filme em outro local... mas é claro: The Blair Witch Project (1999). Só há uma pequena diferença de 15 anos entre um e outro. O filme acaba mostrando alguns alienígenas, e eles são extremamente genéricos: esverdeados, finos, com uma cabeça e olhos grandes; ou seja, não dão medo, pois nós já conhecemos essa figura, e em quase nenhum momento do filme eles nos apresentam um ser perigoso. Fiquei com mais medo que os garotos fossem pegos pela polícia e não pelos alienígenas! E quando você sente isso num filme de terror sobre alienígenas é sinal que tem algo muito errado, mesmo. O filme realmente não funciona, não há jumpscare que eu lembre (se tiver, foi tão ruim que nem considerei como jumpscare), a história não é plausível (4 jovens invadem tranquilamente a Área 51), e o final, socorro, que desastre. É terrível, um filme que erra em quase tudo, darei uma nota 2 pra ser simpático com os extraterrestres. 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Adventureland

Direção: Greg Mottola, 2009.
Uma comédia romântica dramática jovem. O filme conta a história de James, um garoto que acabou de se formar na faculdade e planeja passar as férias de verão na Europa com seu amigo, porém esses planos são frustrados, pois sua família acaba passando por dificuldades financeiras e não pode bancar essa viagem. Assim, James tem que abandonar essa ideia e arrumar um emprego de verão para juntar dinheiro e seguir sua carreira em Nova Iorque no próximo semestre. Por não ter nenhum emprego real em seu currículo, o único local que o aceita é um parque de diversões barato em sua cidade, com brinquedos precários e jogos de fliperama. Agora, James tem que lidar com esse novo meio social que se constitui em volta dele com seus colegas de trabalho.


A história é ambientada nos anos 80, e o longa nos mostra isso com várias referências visuais e musicais, tanto no figurino como na trilha sonora. As famosas férias de verão norte americana são retratadas aqui por um grupo de jovens, cada um com seus problemas e relações familiares distintas, e achei muito interessante a abordagem que o filme traz em relação às várias situações particulares dos personagens, com seus romances de verão, conflito com os pais e amigos de infância e os novos. Gostei bastante do elenco, onde temos como protagonistas o casal constituído por Jesse Eisenberg e Kristen Stewart, que nos apresentam uma sintonia muito boa entre eles e um amor um tanto quanto conturbado, mas que você compra pela história e atuação dos dois. Apesar de parecer uma comédia romântica boba adolescente, eu notei muito mais que isso no filme; há situações cômicas e um romance entre jovens, porém o que me surpreendeu positivamente é o retrato dos jovens oitentistas, os laços de amizade que constituem entre eles no longa, e o conflito de gerações representado pelos problemas familiares, que já vimos muito em filmes do John Hughes por exemplo. É por todos esses elementos que eu gostei bastante desse filme, considero uma nota 9 pelo que ele nos apresenta, e dentre tantas comédias românticas adolescentes atuais é algo que com certeza se sobressai.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

My Own Private Idaho

Direção: Gus Van Sant, 1991.
Um drama sobre garotos de programa. O filme conta a história de dois garotos, Mike e Scott, vividos por River Phoenix e Keanu Reeves, respectivamente. Ambos são garotos de programa, e no de correr do longa acabam fazendo uma viajem sozinhos em busca da mãe de Mike. Scott é um rapaz abastado que não tem boas relações com seu pai, enquanto Mike é um garoto que tem narcolepsia, e isso para um garoto de programa não é algo muito bom.

O filme é de 1991, e os temas prostituição e homossexualidade são abordados de formas naturais, sem preconceito e asco. Várias vezes eu me perguntei como é que a sociedade brasileira receberia esse filme em 1991, pois mesmo não contendo cenas de sexo explícito, aborda esses dois temas tabus na sociedade. Falando em cenas de sexo, há pelo menos duas que são belíssimas: são apenas alguns takes de pessoas nuas em várias posições, calmo, em silêncio, nos dando a oportunidade de apreciar aquele momento. O elenco do filme é ótimo, Keanu está impecável, mas destaco aqui River Phoenix, que é muito competente em seus trabalhos e aqui está excelente. A fotografia do longa também é muito boa; algumas vezes a câmera vai para um plano aberto e esses momentos são belíssimos. Sem dar spoiler, gostaria de destacar outra cena, onde está dois grupos num cemitério, isso já no ato final do filme, e percebemos bem as diferenças entre eles nesse momento fúnebre. My Own Private Idaho é um filme sensacional que aborda alguns temas tabus e merece com certeza ser visto por todos, com uma nota 9, eu recomento à todos.


Antes de finalizar, gostaria de deixar uma homenagem a River Phoenix, que infelizmente faleceu no ano em que nasci, 1993. Foi impossível para mim não compará-lo com Leonardo DiCaprio, pois além da semelhança física se demonstrava um excelente ator, e mesmo tendo falecido quando eu era apenas um bebê, quando soube dessa perda de talento, senti muito pois gostaria demais que ele tivesse uma longa carreira e pudéssemos aproveitar tudo o que River Phoenix poderia nos oferecer. Porém, veio a falecer em 1993 com apenas 23 anos, e uma carreira toda pela frente, que eu gostaria muitíssimo de ter acompanhado.

Mindscape

Direção: Jorge Dorado, 2010.
Um suspense com uma premissa muito boa, mas que poderia ser melhor. O filme conta a história de um homem que tem a habilidade de rever as memórias das pessoas e uma garota um pouco suspeita. Esse homem é contratado para investigar as memórias da garota, que é interpretada pela Taissa Farmiga, pois ela é de uma família muito rica, está em greve de fome há uma semana e o seu passado é um pouco conturbado. O cara inicia então as sessões com a garota para investigar seu passado em suas memórias, e assim se desenrola o filme.


Por conter essas sessões onde ele entra na mente dela, me lembrou um pouco de Inception (2010), só que muito menos explorado e o diretor não é o Nolan, e não tem DiCaprio no elenco. Há algumas partes bem interessantes onde ele investiga suas memórias, onde aparece uma dualidade na personalidade da garota e você se envolve nessa trama pra descobrir o final. O elenco não é surpreendente mas é competente, ninguém compromete o filme mas também não há ninguém em destaque.  Eu queria muito algum plot twist no final do filme, mas a resolução do problema e o último ato todo ficaram bastante clichê e o filme decaiu um pouco, infelizmente. Gostaria realmente de ver um longa com essa premissa explorando melhor a ideia de investigas as memórias dos outros, com um pouco mais de duração e numa pegada Inception mesmo, com algumas sessões de oclumência vide Harry & Snape. Até o ato final o filme segue bem interessante, porém nada excepcional, e o ato final deixa um pouco a desejar, por isso considero um longa nota 7, e vale a pena ser visto por quem gosta desse tipo de suspense. 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Stand By Me

Direção: Rob Reiner, 1986.
Um belíssimo filme dramático sobre amizade e outras coisas. O filme conta a história de quatro amigos com seus 12 anos, que descobrem a localização de um cadáver e resolvem tirar um final de semana para ir vê-lo. Os quatro amigos acabam indo em direção à esse cadáver e até chegar lá acabam passando por diversas situação que desafiam essa amizade infantil, e que acabam por fortalecer os laços de amizade entre eles e os engrandecem como pessoas em vários sentidos. O filme é baseado em um conto do Stephen King, e mesmo sendo reconhecido como o Mestre do Terror, pelo menos três filmes baseados em seus contos são dramas fortes, intensos e belíssimos: os conhecidos e premiados The Shawshank Redemption (1994) e The Green Mile (1999), e este sobre o qual escrevo.


Pelo menos dois aspectos me chamaram a atenção positivamente para além da trama do filme: a fotografia e a trilha sonora. A fotografia do filme é lindíssima: por se passar boa parte da história nos arredores de uma floresta e dentro dela, há muitos planos aberto e o uso de bastante verde, além de algumas cenas em pontes muito encantadoras. O filme é oitentista, mas a história se passa no verão de 1959, então a trilha sonora é muito forte com músicas dessa década, e são músicas bem animadas e alegres até, onde em algumas vezes os próprios personagens as cantam, como num musical. Toda a ambientação da década de 1950 está muito bem realizada nesse filme: sentimo-nos pertencentes a essa época. O elenco, apesar de ser mirim, é bem competente, creio que não comprometem em seus papéis. Mas o destaque entre os personagens não fica realmente na atuação, mas sim no roteiro e nos laços que são criados a partir dele, dos diálogos entre os personagens e a amizade verossímil entre eles. A interação entre os personagens nos faz sentir saudades da nossa infância e das amizades juvenis, porém verdadeiras que tínhamos. O final é muito bem escrito, e a mensagem é linda, triste, e muito real. Para quem adorou The Outsiders (1983) ou outros filmes do gênero, Stand By Me é imperdível, e um nota 9 está bom para o filme, mas 9,5 não seria exagero também.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

It

Direção: Tommy Lee Wallace, 1990.
Um excelente filme de horror. O filme conta a história de sete crianças que vivem numa cidade do Maine (USA), que acabam tendo laços de amizade fortalecidos por todas serem atacadas por os bully da escola e por It, A Coisa. Nessa cidade, de tempos em tempos, It ressurge para fazer mais vítimas, e sete crianças acabaram sobrevivendo na sua última passagem, e anos depois A Coisa volta para assombrar novamente essas pessoas. Agora, já adultas, elas se reencontram para tentar acabar com essa maldição. Por essa questão temporal, o filme oscila entre passado e presente, ora nos mostra o que aconteceu quando eram crianças e seu primeiro contato com A Coisa, ora nos mostra o reencontro dessas pessoas e como estão suas vidas agora. Baseado numa obra de Stephen King, It é uma das melhores adaptações do escritor e um clássico dos filmes de terror, imperdível para quem é fã do gênero. It, A Coisa, aparecia inúmeras vezes para as crianças na forma de um palhaço chamado Pennywise, que está tremendamente assustador aqui. Gracioso anos 90, sem CGI e com muitos efeitos práticos, deixando essa “Obra prima do medo” ainda mais real. Pennywise é um palhaço macabro que aparece em diversos lugares para suas vítimas, e com sua conversa e truques baratos (como balões), acaba seduzindo essas inocentes almas. As aparições de It (ou A Coisa, ou Pennywise) são tremendamente aterrorizantes e perturbadoras, tanto para alguém adulto e muito mais ainda para qualquer criança, o público alvo do palhaço. O gore do filme é essencial, porém não em excesso, e o que realmente traz o terror para o filme é A Coisa. 

A trama é muito bem trabalhada, creio que seja uma adaptação fiel (não li o livro), pois são três horas de filme, então não há motivo para encherem linguiça; a obra de King realmente é extensa, então espero que essas três horas que tenham sido bem aproveitadas. Ainda assim é longo para um filme de terror: a primeira hora é sobre a origem deles, como os sete se conheceram, se juntaram e viram pela primeira vez a coisa, intercalando com seu presente; a segunda hora é sobre o reencontro deles e a volta d’A Coisa; e a última hora é o desfecho da trama, o reencontro deles com A Coisa e seus finais. Os atores enquanto crianças funcionam muito bem, o problema é quando eles crescem; assim como em outras adaptações do King, o elenco é fraco, não conseguem carregar a responsabilidade da obra para si e pecam no filme por isso. Falando em elenco, infelizmente o filme conta com apenas uma mulher no elenco principal, com outros seis homens, o que me incomodou bastante. It é um longa clássico de terror muito bem feito, com um elenco não muito forte, um pouco extenso, porém extremamente bem elaborado e com uma ótima dose de horror que o bom e velho Stephen King sabe fazer, com uma nota 8,5 eu fico feliz ter assistido ele quando adulto apenas, pois se fosse quando criança eu provavelmente teria coulrofobia. 

The Gift

Direção: Joel Edgerton, 2015.
Um ótimo filme de suspense e terror psicológico. O longa conta a história de um casal, Simon e Robyn, felizes e bem sucedidos e que resolvem se mudar. Compram uma nova casa, conhecem novas pessoas, entre elas um antigo colega de classe de Simon, chamado Gordon. Esse novo velho conhecido acaba sendo um pouco inoportuno e enviando presentes para o casal, tentando estabelecer uma amizade por ali. Há um ar sombrio bem feito aqui, muito por conta das atuações que estão impecáveis e do roteiro bem trabalhado e crível. 

Os três atores principais estão muito bem, o casal tem uma sintonia boa, mas queria destacar Joel Edgerton, que além de interpretar Gordon, escreveu e dirigiu o filme. O roteiro é bem escrito e muito atual, há algumas reviravoltas ao decorrer do longa que te pegam de surpresa e isso é ótimo, pois nada aqui fica parecendo óbvio e previsível, e o final é simplesmente incrível. É um daqueles finais que deixam uma dúvida e que gera um debate após o término do filme, e que talvez nunca saibamos o que aconteceu realmente; mas isso que é bom, dar asas à imaginação do espectador, onde cada um pode especular o que lhe for mais plausível. Sem dar spoiler, só queria comentar que o Kevin Spacey daria um excelente Gordon. Com tantos filmes de suspense e terror atuais tão óbvios e sem graça, que não te deixam aflito nem te assustam, esse filme utiliza pouco do jumpscare, mas esse pouco é bem funcional, e o clima inquietante que ele causa é que mais impacta nesse filme, além da boa reflexão que você faz após o término. Com uma nota entre 9 e 10, recomendo à todos esse belíssimo filme, e lembrem-se: você pode esquecer do passado, mas o passado pode não esquecer de você.