Mostrando postagens com marcador Suspense. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Suspense. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Don't Breathe

Direção: Fede Alvarez, 2016.
A tradução brasileira às vezes pode acabar com um filme ótimo. Poderia ter sido dessa vez, mas foi só mais uma tradução de título bosta. Don't Breathe poderia ter sido traduzido ao pé da letra que faria todo o sentido, mas O Homem nas Trevas é tão clichê que dá mais público, acontece. É mais um ótimo terror de 2016, tenso e violento, que não subestima o espectador e até nos surpreende com cenas tecnicamente bem feitas. 

O longa conta a história de três jovens que vivem em Detroit, cidade norte americana que declarou falência anos atrás (fato que por coincidência ou não torna a trama mais real), e ganham a vida realizando pequenos furtos em casas asseguradas pela seguradora do pai de um deles. Grande parte das pessoas da cidade foram embora dela, deixando-a com uma aparência de "cidade fantasma", o que de certa forma facilitava para eles na execução dos furtos. Porém, o pouco que levavam não era o suficiente para seus sonhos (como mudar de cidade), e após receberem a informação de haver cerca de 300 mil dólares na casa de um ex soldado cego , resolvem investir nele como se fosse o último furto de suas vidas.


      Sam Raimi (Evil Dead, 1981) resolveu apostar, faz alguns anos, no jovem Fede Alvarez, e juntos contam com três colaborações tendo Alvarez na direção: Panic Attack! de 2009; um remake de Evil Dead de 2013; e agora Don't Breathe. Parece que agora acertaram em cheio na produção, finalmente. Alvarez chega até a nos impressionar em algumas cenas, como num falso plano sequência quando os jovens entram na residência do ex soldado, e uma iluminação e edição de som que tornam o longa ainda mais tenso. Como o vilão do filme é cego, ele não precisa de luz elétrica, o que gera uma ótima cena no porão, porém ele tem uma audição aguçada, que é tanto um ponto fraco quanto forte, e me remeteu em certos aspectos ao bom Hush desse ano também.

A respeito das atuações, entre os jovens não há muito o que dizer, cumprem o seu papel apenas, tendo como destaque Jane Levy (Suburgatory, 2011 - 2014). O grande personagem do longa é Stephen Lang, que interpreta o ex soldado. Aqui ele constrói um vilão amedrontador, sério, afetado psicologicamente mas que acima de tudo sobreviveu a uma guerra. O que seria para ele três jovens invadindo sua casa? O medo do desconhecido, da escuridão, da violência e da morte: é a tensão que o filme nos causa. Há, além da tensão e do medo, muita violência: socos, tiros, marteladas e muito sangue. E um trabalho muito bem feito pela equipe de maquiagem. Mas apesar de tudo, é claro que o filme contém algumas falhas, como um número muito grande de balas numa arma e os famosos protagonistas sortudos, que conseguem repelir as balas em tiroteio. Com tantos pontos positivos, no fim dá pra relevar esses erros.

O ano felizmente está ótimo para o gênero de terror. Contamos com The Witch (que apesar de ser de 2015, estreou no Brasil esse ano), 10 Cloverfield Lane, Hush, e The Conjuring 2. Apesar de ter falhado tenebrosamente em Before I Wake e um tantinho em The Boy, 2016 está sendo muito agradável. Don't Breathe é mais um filme que merece ser apreciado até por quem não gosta muito do gênero: nos apresenta alguns sustos, violência, muita tensão, um vilão amedrontador e cenas muito bem construidas.

domingo, 17 de abril de 2016

10 Cloverfield Lane

Direção: Dan Trachtenberg, 2016.
Rua Cloverfield, 10, ou 10 Cloverfield Lane, é o novo filme do produtor J. J. Abrams (diretor de Star Wars: Episode VII – The Force Awekens, e também produtor do próprio Cloverfield de 2008), e nos mostra o mesmo universo do primeiro Cloverfield, mas com um ponto de vista bem diferente do anterior. A produção do filme foi bem sigilosa, e o próprio longa só começou a ser realmente divulgado quando saíram os trailers no cinema no início desse ano, muito similar ao que aconteceu no primeiro – e deu certo. Por ter um ponto de vista bem diferente do primeiro, Rua Cloverfield, 10, não pode ser comparado ao anterior, pois enquanto o de 2008 nos trouxe uma visão de horror e destruição apocalíptica, o novo nos traz um olhar de confinamento e de sobrevivência. Sua história, sem revelar muita coisa, é simples: ocorreram alguns ataques nos Estados Unidos da América que deixaram locais sem energia, mas nada muito alarmante ainda, e Michelle (Mary Elizabeth Winstead), após brigar com seu namorado, sai com seu carro e sofre um grave acidente na estrada, mas em seguida ela acorda em um bunker com outros dois homens lhe dizendo que a Terra foi atacada e a radiação que está no ar acima deles é letal, então terão que ficar pelo tempo que for necessário até a superfície terrestre estar segura novamente.

Dan Trachtenberg traz seu primeiro trabalho como diretor de longa-metragem aqui, e isso é uma grande surpresa visto a qualidade do filme. Por trabalhar com atores mais experientes, como John Goodman, poderia ter sido um trabalho extremamente caótico, mas aqui ele nos traz uma narrativa coesa, e que nos surpreende em alguns pontos. Assim como Room, esse longa é extremamente claustrofóbico – a luz do sol aparece pouquíssimas vezes mesmo! A trilha sonora auxilia esse tom de claustrofobia, quando por vezes não há som algum, só a contemplação daquele local pequeno e fechado. Aliás, a trilha sonora é outro ponto positivo, pois mesmo estando naquele contexto terrível, há alguns momentos “família” em que a música ajuda a aliviar a tensão, e até nos diverte.

            Partindo para a narrativa do filme, há uma dualidade muito grande que nos faz esperar dois possíveis finais para o filme (mais à frente pretendo comentar, com spoiler). Essa dualidade está presente não apenas na narrativa, mas muito, e principalmente, no personagem de Goodman. Foi ele que teve a ideia de construir um bunker anos atrás, e fissurado por teorias da conspiração e sobrevivência pós-apocalíptica, teve algumas perdas em sua vida por isso. Ao decorrer do filme, descobrimos outras facetas desse homem, o que põe em dúvida toda a ideia de ataque, de sobrevivência e em tudo o que eles estão vivendo lá dentro. Assim como em The Witch, por vezes o filme toma partido de um lado da história, mas logo em seguida vira o jogo e o espectador fica com uma dúvida cada vez maior.

            Se tivessem tirado algumas cenas no corte final, o longa poderia ter qualquer nome que não envolvesse Cloverfield, e ainda assim funcionaria muito bem. Como eu disse anteriormente, é outro ponto de vista desse ataque à Terra, e isso abre esse Universo Cloverfield para ser explorado em diversas ocasiões, com um mesmo pano de fundo, e em diversos gêneros cinematográficos. Mas o filme é desse Universo Cloverfield, e o diretor tem que tomar partido em suas escolhas para finalizar o projeto. (ALERTA SPOILER) Enquanto nós ficamos em dúvida entre a certeza de Goodman sobre o grande ataque, Michelle também fica, e em certo momento do filme a, digamos, curiosidade dela é maior, e após algumas tentativas ela consegue sair do bunker. Para sua infelicidade, ela descobre que Goodman estava certo, que houve ataques e que havia um gás que matava os seres humanos. Isso já no ato final, mas que é muito bem executado, como em The Witch, e também dividiu opiniões por esse final. Se Michelle tivesse saído do bunker e descoberto que não houvera ataque algum e que Goodman era um psicopata, seria um ótimo final, mas o filme tem Cloverfield no nome, então em certo momento tem que haver uma ligação, não é? Aí que surge também a explicação do título do longa: Rua Cloverfield, 10, é o endereço da casa de Goodman, onde abaixo dela está o bunker. Então, assim, poderia não haver o final com o ataque apocalíptico, mas temos J. J. Abrams na produção, que acarretou nessa escolha para o final do filme. Ainda assim, o final não é bem fechado, no sentido de abrir possibilidade para uma continuação, que é interessante, mas um pouco clichê (aliás, me lembrou de A 5 Onda, que não é algo positivo).

            Rua Cloverfield, 10, é um filme seguro, e ao mesmo tempo ousado; é Cloverfield, mas poderia não ser. Abre novos horizontes para o Universo Cloverfield, que pode ser muito bem aproveitado. Não inova o gênero de suspense e terror psicológico, e tampouco o de sobrevivência pós-apocalíptica, mas é muito interessante e bem executado. Tem um ritmo bom, não chega a cansar o expectador, e vale a pena conferir no cinema ou em casa.

terça-feira, 22 de março de 2016

The Witch

Direção: Robert Eggers, 2015.
The Witch, ou A Bruxa, conta a história de uma família que é expulsa da vila onde moram, e acabam tendo que viver ao redor de uma floresta misteriosa. A trama se passa por volta de 1600, em uma região da Inglaterra, numa época onde várias pessoas acreditavam que Deus ainda era o centro do universo, e o fanatismo religioso predominava em parte do globo. Nesse vilarejo na Inglaterra não era diferente. A família em questão é expulsa de sua comunidade por motivos religiosos, e ainda e principalmente após alguns acontecimentos em seu novo lar, a religiosidade e a palavra de Deus falam mais alto que o próprio sangue e as relações familiares. 

Esse é o primeiro longa do diretor Robert Eggers, e ele conduz muito bem o suspense e a tensão do filme, além de sugar muito o talento do seu elenco; é um nome a ser observado. É um filme de gênero e de época, mas ao mesmo tempo nem um pouco genérico. Com uma enxurrada de filmes de terror que temos atualmente, The Witch é um suspiro de filmes que constroem uma tensão em cada cena, como The Shining (1980), por exemplo. Há várias cenas em que poderia haver grandes sustos e jump scares, mas o diretor optou por não mostrar isso, e com uma trilha sonora angustiante e takes de pura tensão é criado um clima de horror em nossas mentes, e em seguida a cena é cortada. O filme não mostra demais, nem menos, mostra numa exatidão para cada um compreender o filme da sua maneira, e não de uma maneira geral e genérica, porque quem dá sentido ao filme é quem os assiste. Então, se quiser ver um filme com grandes sustos no estilo The Blair Witch Project (1999) e The Conjuring (2013), esse não é um filme para você. Mas se você curtiu The Babadook (2014), The Gift (2015) e Goodnight Mommy (2015), The Witch merece ser visto sim.

Falando em cenas e takes, gostaria de destacar dois takes que me marcaram; um pela beleza e outro pela angústia. O primeiro envolve uma lua cheia e a silhueta de uma pessoa no centro, belíssimo, sem excesso; e o segundo envolve uma mulher e um corvo, com uma tensão criada anteriormente, esse take choca muito e dói. Aqui a filmagem é quase que exclusivamente feita com luz do sol ou de velas, o que aumenta o suspense, por não mostrar com exatidão algumas imagens. Ainda sobre, de certa forma, o visual do filme, é preciso observar a fotografia e figurino que estão impecáveis. A fotografia com a luz natural funciona muito bem, pois o filme se passa em alguma região da Inglaterra, e aqui no filme o sol não aparece; quando é dia está muito nublado, com uma iluminação fraca, aumentando a infelicidade e isolamento da família, onde é sempre cinza, e quando é noite, há apenas a luz das velas mostrando o pouco que nos é necessário para a construção do filme.

Não posso deixar de lado as atuações. A família é composta por seis pessoas, o pai (Ralph Ineson), a mãe (Kate Dickie), a filha mais velha (Anya Taylor-Joy), o filho do meio (Harvey Scrimshaw) e os gêmeos (Ellie Grainger e Lucas Dawson). Temos aqui dois atores experientes, uma jovem pupila e três crianças. Parece que quanto mais eu friso o quanto é difícil trabalhar com crianças, mais eu queimo a língua. No início do filme, achei o personagem do Harvey muito ruim, mas há uma cena em que ele está deitado onde ele dá um show de atuação para a sua idade, e os gêmeos são pouco aproveitados no início do filme, mas há uma cena em especial que a personagem da Ellie tem um destaque maior onde se consegue ver um talento a ser cultivado, e já para o final, os gêmeos tem uma ótima sintonia e funcionam muito bem como uma dupla. Mas o destaque fica realmente para Anya, que conduz o filme com uma ingenuidade mesclada com uma malícia em certos aspectos, uma bondade que por vezes é corrompida, mas tenta se redimir depois muito por conta da religião e seus pecados. Por ter um elenco tão jovem e atuando tão bem, creio o diretor tenha um dedo importante aí.

Mas é claro que o filme tem suas infelicidades. Por tratar de um tema envolvendo o fanatismo religioso, grande parte dos diálogos envolvem Deus, a Bíblia e suas passagens, e isso me incomodou um pouco, mesmo sabendo que faz parte do contexto em que o filme se passa. Há ainda a cena final que incomodou muita gente. Particularmente eu gostei, pois há uma grande margem interpretativa aqui, e refletindo algum tempo depois eu passei a gostar mais. (ALERTA SPOILER) No final, a personagem da Anya acaba matando sua mãe, sendo a última da família a sobreviver (supostamente), e esgotada, ela senta em uma cadeira e apoia sua cabeça sobre a mesa, provavelmente cochilando, e há um corte de alguns segundos. Se o filme acabasse assim, seria ótimo. Porém, ele continua em uma sequência onde a mesma acorda e se vende para o mal, fazendo parte de um ritual de bruxaria. Eu interpretei esse último final como um sonho (ou pesadelo) dela, e que o filme realmente terminou quando ela descansou então o ritual não passaria de mera imaginação. Por outro lado, a cena da venda dela para o mal, onde o bode interage com ela e o ritual todo, eu achei extremamente bem feitas e angustiantes.

A Bruxa, ou The Witch, não é um filme para todo mundo. Há uma enorme tensão do início ao fim que é construída a partir da escolha do diretor do que mostrar nas cenas em conjunto com a trilha sonora. Com atuações impecáveis, um figurino e fotografia excelentes, é um longa a ser observado e contemplado por seus vários pontos positivos, pecando em poucos aspectos.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Goodnight Mommy

Direção: Severin Fiala,
Veronika Franz, 2014.
Um thriller austríaco. O filme conta a história de irmãos gêmeos que moram apenas com sua mãe. No início do filme os irmãos estão brincando fora da casa, aguardando sua mãe que foi fazer uma cirurgia no rosto, porém, quando ela volta, há algo estranho entre eles. A mãe retorna com o rosto enfaixado e coloca novas regras na casa para um melhor repouso, segundo recomendações médicas, como as cortinas fechadas e o mínimo de barulho possível. Os garotos logo começam a desconfiar que ela possa não ser a sua verdadeira mãe, pois ela não mostra o rosto que está sempre escondido atrás das ataduras, e a partir daí o filme se desenvolve tensamente.

O longa tem uma ritmo e estética muito diferentes do que estamos acostumados com as produções dos Estados Unidos. É um filme de suspense com uma fotografia e direção de arte belíssimas, com ótimos planos abertos e uma iluminação que conversa com o filme e conosco em vários momentos. As cenas não são gratuitas; os elementos que as compõe são muito bem pensados para nos dar a dose certa de tensão, mistério e nos encaminhar para algum lado da história. História essa que tem dois lados conforme o filme se desenvolve: o lado da mãe e o das crianças. Você desliza por esses lados muito rapidamente, ora pensa que a mãe está certa, ora que os meninos.


O filme é lindo esteticamente, e também segue um ritmo lento que nos dá tempo para observar os detalhes das cenas, o que é muito importante. Existem poucos diálogos, a maior parte do tempo nós observamos a interação dos irmãos com suas brincadeiras dentro da casa e fora dela, e eles não conversam muito entre si e muito menos com a mãe que voltou tão diferente daquela cirurgia. Esse pode não ser um filme pra quem gosta de algo mais acelerado, com grandes sustos e sangue, mas para quem viu The Gift (2015) e adorou, aqui temos uma ótima recomendação.  A respeito das atuações, todas estão no nível ideal. Sempre acho complicado trabalhar com crianças, mas aqui os atores funcionam, com os poucos diálogos eles fazem um trabalho corporal bem interessante, conversando com os olhos, gestos, expressões faciais e com os silêncios. Há ainda um plot twist muito bem trabalhado, e que o longa nos dá várias pistas para descobri-lo. Temos aqui uma ótima produção, que é categorizada como um suspense, mas tem muito mais a nos dizer do que apenas um filme de gênero. É algo que trabalha com a psicologia, a agonia, o desespero, a tensão, o relacionamento familiar, e principalmente com o Cinema.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Before I Go To Sleep

Direção: Rowan Joffe, 2014.
Um suspense dramático bem realizado. O filme conta a história de Christine, uma mulher que sofre de um tipo de amnésia, e todos os dias quando acorda não se lembra do que fez nos dias anteriores. Christine já tem 40 anos, e após um suposto acidente ocorrido há dez anos, quando acorda lembra-se somente de sua vida até seus 20 anos. Há mais dois personagens principais, seu marido Ben, e seu médico, porém com o passar dos dias Christine percebe que há algo errado e que um dos dois mente para ela sobre sua vida.


Temos aqui uma história não muito original, mas ainda assim interessante e muito bem trabalhada. O ritmo do longa é bom e o filme te prende bastante, pois há muitas reviravoltas na história a cada descoberta de Christine, interpretada magistralmente pela Nicole Kidman. O clima é bem tenso, com a ajuda da iluminação, trilha sonora e as atuações, aqui principalmente do Colin Firth, que faz o papel de Ben. Christine faz o uso de uma câmera que grava um pouco de seu dia, para que ela possa ver e se lembrar no dia seguinte, e assim vai descobrindo algumas coisas sobre seu passado que tentam esconder dela, e que para mim funcionou muito bem, algumas um pouco previsíveis, mas bem feitas. Pela história bem contada e as atuações muito boas, dou uma nota 8 para o filme, um bom filme de suspense, com uma boa ambientação e uma carga dramática pesada.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Area 51

Direção: Oren Peli, 2015.
Um found footage horrível com alienígenas. O filme conta a história de um grupo de amigos que decide investigar o que há na famosa Área 51, uma base estado-unidense que supostamente contém corpos de extraterrestes. Já não é uma das ideias mais originais que existe, e ainda mais com um found footage fica ainda mais clichê, porém existem casos que isso dá certo, o que não acontece por aqui, infelizmente. Eu queria sentir pelo menos um pouco de medo com esse filme, pois ele se vende como um suspense e terror, só que nada dá certo.


No final do filme eu fiquei com aquele gosto amargo na boca, pois o longa tem um ritmo bacana até, o desenrolar da história é OK, você finge acreditar para o filme não perder a graça, mas quando chega ao final, é uma catástrofe. Além disso, quando acabou o filme eu tive aquela sensação de já ter visto o filme em outro local... mas é claro: The Blair Witch Project (1999). Só há uma pequena diferença de 15 anos entre um e outro. O filme acaba mostrando alguns alienígenas, e eles são extremamente genéricos: esverdeados, finos, com uma cabeça e olhos grandes; ou seja, não dão medo, pois nós já conhecemos essa figura, e em quase nenhum momento do filme eles nos apresentam um ser perigoso. Fiquei com mais medo que os garotos fossem pegos pela polícia e não pelos alienígenas! E quando você sente isso num filme de terror sobre alienígenas é sinal que tem algo muito errado, mesmo. O filme realmente não funciona, não há jumpscare que eu lembre (se tiver, foi tão ruim que nem considerei como jumpscare), a história não é plausível (4 jovens invadem tranquilamente a Área 51), e o final, socorro, que desastre. É terrível, um filme que erra em quase tudo, darei uma nota 2 pra ser simpático com os extraterrestres. 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Mindscape

Direção: Jorge Dorado, 2010.
Um suspense com uma premissa muito boa, mas que poderia ser melhor. O filme conta a história de um homem que tem a habilidade de rever as memórias das pessoas e uma garota um pouco suspeita. Esse homem é contratado para investigar as memórias da garota, que é interpretada pela Taissa Farmiga, pois ela é de uma família muito rica, está em greve de fome há uma semana e o seu passado é um pouco conturbado. O cara inicia então as sessões com a garota para investigar seu passado em suas memórias, e assim se desenrola o filme.


Por conter essas sessões onde ele entra na mente dela, me lembrou um pouco de Inception (2010), só que muito menos explorado e o diretor não é o Nolan, e não tem DiCaprio no elenco. Há algumas partes bem interessantes onde ele investiga suas memórias, onde aparece uma dualidade na personalidade da garota e você se envolve nessa trama pra descobrir o final. O elenco não é surpreendente mas é competente, ninguém compromete o filme mas também não há ninguém em destaque.  Eu queria muito algum plot twist no final do filme, mas a resolução do problema e o último ato todo ficaram bastante clichê e o filme decaiu um pouco, infelizmente. Gostaria realmente de ver um longa com essa premissa explorando melhor a ideia de investigas as memórias dos outros, com um pouco mais de duração e numa pegada Inception mesmo, com algumas sessões de oclumência vide Harry & Snape. Até o ato final o filme segue bem interessante, porém nada excepcional, e o ato final deixa um pouco a desejar, por isso considero um longa nota 7, e vale a pena ser visto por quem gosta desse tipo de suspense. 

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

The Gift

Direção: Joel Edgerton, 2015.
Um ótimo filme de suspense e terror psicológico. O longa conta a história de um casal, Simon e Robyn, felizes e bem sucedidos e que resolvem se mudar. Compram uma nova casa, conhecem novas pessoas, entre elas um antigo colega de classe de Simon, chamado Gordon. Esse novo velho conhecido acaba sendo um pouco inoportuno e enviando presentes para o casal, tentando estabelecer uma amizade por ali. Há um ar sombrio bem feito aqui, muito por conta das atuações que estão impecáveis e do roteiro bem trabalhado e crível. 

Os três atores principais estão muito bem, o casal tem uma sintonia boa, mas queria destacar Joel Edgerton, que além de interpretar Gordon, escreveu e dirigiu o filme. O roteiro é bem escrito e muito atual, há algumas reviravoltas ao decorrer do longa que te pegam de surpresa e isso é ótimo, pois nada aqui fica parecendo óbvio e previsível, e o final é simplesmente incrível. É um daqueles finais que deixam uma dúvida e que gera um debate após o término do filme, e que talvez nunca saibamos o que aconteceu realmente; mas isso que é bom, dar asas à imaginação do espectador, onde cada um pode especular o que lhe for mais plausível. Sem dar spoiler, só queria comentar que o Kevin Spacey daria um excelente Gordon. Com tantos filmes de suspense e terror atuais tão óbvios e sem graça, que não te deixam aflito nem te assustam, esse filme utiliza pouco do jumpscare, mas esse pouco é bem funcional, e o clima inquietante que ele causa é que mais impacta nesse filme, além da boa reflexão que você faz após o término. Com uma nota entre 9 e 10, recomendo à todos esse belíssimo filme, e lembrem-se: você pode esquecer do passado, mas o passado pode não esquecer de você.

domingo, 29 de novembro de 2015

Another Me

Direção: Isabel Coixet, 2013.
Um filme terrível de terror. O filme conta a história de uma garota que começa a ver uma pessoa igual a ela e que começa a tentar roubar a sua identidade. A atriz principal é Sophie Turner, e talvez a única coisa que preste nesse filme; Sophie não é uma má atriz, mas o filme a desperdiça, pois não sabe qual história quer contar. Achei a trama principal bem interessante, mas muito pouco abordada no filme e muito má trabalhada; o filme tenta passar um clima de suspense e mistério, mas em nenhum momento nos deixa aflito ou com medo. 

Há outras subtramas que são completamente descartáveis, como o romance adolescente da Sophie com seu colega de escola. Até gostei do romance dos dois, mas como o filme não explorou o mistério e suspense essencial para o filme ser bom, não contribuiu em nada para a história. Contém ainda cenas bastantes clichês, de perseguição por algo desconhecido, mas que não conseguem amedrontar ninguém. Por ser um filme tão ruim, o final me surpreendeu um pouco, pois não achava que o filme poderia me apresentar algo bom, algo que eu não esperava, por ser tão óbvio e ruim o tempo todo. É um longa de terror péssimo que em momento algum te amedronta, foca em subtramas desnecessárias e merece no máximo um 4,5 pela Sophie Turner e o final não tão terrível como o resto do filme.

sábado, 28 de novembro de 2015

V/H/S

Direção: Adam Wingard, Chad Villella,
David Bruckner, Glenn McQuaid, Joe
Swanberg, Justin Martinez, Matt Bettinelli-Olpin,
Ti West, Tyler Gillett, 2012.
Um filme de terror no estilo found footage. O filme conta a história de um grupo de amigos (bem babacas, escrotos e nojentos), que filmam suas “atividades ilícitas” com uma câmera antiga, e uma dessas atividades consiste em roubar uma fita VHS em uma casa. Ao entrar nessa casa eles percebem que o morador está morto, e mesmo assim vão atrás da fita específica, porém nessa casa há uma coleção de fitas VHS e os amigos acabam assistindo algumas enquanto procuram. Considero que o foco principal não é nessa história, mas sim nas histórias que estão nas fitas, pois o filme parece que na realidade são vários curtas de uns 20 a 30 minutos, e que utilizam a história do roubo de uma fita para juntá-los num filme. Ora nós vemos o que está acontecendo na casa das fitas, e ora nós vemos esses pequenos curtas. Por ser um filme de terror, ele contém alguns jumpscares e uma boa dose de gore, mas o interessante é o clima de aflição e suspense no ar que ele deixa, pela má qualidade das imagens e o repleto desconhecimento das histórias que estão por vir. 

Todas essas histórias das fitas poderiam virar filmes de terror sólidos, uns mais bizarros que os outros, uns mais gore e outros mais de assombração e fantasmas. Li um comentário que dizia que esse filme é uma “Coletânea da Deep Web”, e é uma boa forma de resumir o filme, mas bem light talvez. Ao final da maioria dessas fitas que o grupo assiste, eu me peguei com um cara de nojo e total falta de noção do que tinha acabado de ver, de tão surreal e bizarro que eram, porém elas funcionam de certa forma, não é de todo o ruim. Pela curiosidade que os pequenos curtas trazem, algumas doses de jumpscares e gore, considero um filme entre 6 e 6,5.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

The Visit

Direção: M. Night Shyamalan, 2015.
O novo filme de suspense de M. Night Shyamalan. O longa conta a história de dois irmãos, Becca e Tyler, que vão passar uma semana na casa de seus avós que nunca conheceram. A trama é simples, mas muito interessante e bem dirigida. Após o grande estrondo que foi The Sixth Sense em 1999, a carreira de Shyamalan decaiu consideravelmente, mas em The Visit ele demonstra que ainda sabe fazer cinema. O filme conta com um plot twist legalzinho, cenas de mistério e suspense boas e alguns jumpscare que funcionam. O filme é todo filmado em primeira pessoa, por duas câmeras, pois Becca está querendo fazer um documentário, então cada um dos irmãos empunha uma câmera e passa a gravar a semana naquela casa desconhecida com seus avós. Depois de mais de quinze anos de The Blair Witch Project, a onda de filmes de terror e suspense em primeira pessoa parece ainda não ter encerrado, mas aqui essa técnica funciona, pois não parece jogada no roteiro sem nexo nenhum com a história, e as cenas são bem filmadas e editadas. 

Algumas pessoas consideram até como um filme de comédia de terror, pois contém várias partes engraçadas encenadas pelos protagonistas que tem uma sintonia muito boa frente ás câmeras, mas eu acho que o foco maior aqui é realmente o mistério que envolve essa casa e os avós. Shyamalan retorna com um bom filme, não muito original, mas funcional do que se propõe a fazer, e ainda conta com uma das marcas essenciais do diretor, o plot twist, que é bem interessante até. Enfim, pra quem gosta de suspense, filmes em primeira pessoa e alguns jumpscare, o filme vale a pena sim: nota 8.