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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

O Despertar da Besta (Ritual dos Sádicos)

Direção: José Mojica Marins, 1970.
O cinema no Brasil sempre foi muito complicado. Tanto o fazer cinema quanto a história do cinema nacional são emblemáticas, difíceis e com muitas reviravoltas: filmes que se perderam no tempo, produtoras falidas e cineastas esquecidos. José Mojica Marins é um deles. Lembrado apenas por alguns diretores e críticos, Mojica não recebeu o respeito merecida em sua época, e o público brasileiro não deu atenção necessária às suas obras polêmicas e controvérsias (muito por conta da nudez que o levou para os pornôs posteriormente)

Terceira obra de Marins presente na lista dos 100 melhores filmes brasileiros segundo a Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), o Ritual dos Sádicos foi lançado comercialmente só nos anos 80. O longa permaneceu mais de dez anos sob o olhar dos censores da Ditadura, pois continha muita nudez e "tóxicos". Após seu lançamento comercial, adquiriu alguns prêmios no circuito nacional, e Mojica deixou sua marca (mais uma vez) no cinema brasileiro ao retratar em plena década de 70 o consumo das drogas e algumas práticas sexuais.

O Despertar da Besta conta a história de um psiquiatra que, visando estudar os efeitos do LSD na mente humana, injeta algumas doses da droga em quatro pacientes perturbados pela imagem de Zé do Caixão. A narrativa não é convencional: com o formato de um pseudo documentário, a primeira parte do filme conta alguns casos noticiados que envolviam o uso das drogas e a sexualidade aflorada, seja um romance, um orgia, um adultério ou um abuso. Enquanto os casos vão sendo contados por psiquiatras, Mojica (no papel dele mesmo) observa tudo sem entender a sua relação com os acontecidos, até o vermos num tribunal popular, onde sua obra cinematográfica está sendo julgada. Ainda como um pseudo documentário, em forma de ficção o diretor desabafa sobre a dificuldade de fazer filmes no Brasil, inovar num gênero inexistente no país e ainda ser esnobado pela crítica da época. 
       
      Após o julgamento, é iniciada a pesquisa com LSD nas pessoas, e Mojica brilha mais uma vez. Assim como em Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967), o filme todo é em preto e branco e quando a experiência acontece o horror vira cor. Vale destacar também que até esta parte o filme contou apenas os casos citados acima, com muita nudez, mas sem o terror clássico de Zé do Caixão. Agora, em cores, Zé aparece aterrorizando as quatro cobaias, representando o terror em suas mentes com (novamente) muita nudez, gritos, agressões e sustos. 

      Como falei, Mojica brilha. Segundo ele, "fazer um filme no Brasil era como construir um foguete e voar até a lua", e tal qual Glauber Rocha (Terra em Transe, 1967) e Anselmo Duarte (O Pagador de Promessas, 1962), citados no filme, Mojica vai até a lua com seu foguete ardendo com o fogo do inferno e agoniando de dor. A viagem no ácido é construída com muitos cortes, risadas e gritos perturbadores, utilização de cores quentes como vermelho, amarelo e laranja contrastando com verde e azul e Zé do Caixão levando cada mente para sua loucura singular, remetendo ao sexo, ao horror e aos abusos. Destaque para a escada humana em que Zé desce no início.





      Interessante pontuar também que ao mesmo tempo em que temos, no Brasil, Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade e Rogério Sganzerla realizando O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969), Macunaíma (1969) e O Bandido da Luz Vermelha (1968), respectivamente, marcos do Cinema Novo, Tropicalismo e Cinema Marginal, José Mojica Marins não fica para traz e segue experimentando o seu terror brasileiro em uma das suas melhores formas, criticando a sociedade ao mesmo tempo em que a aterroriza, com um anti-herói emblemático.


      Ao seu fim, o longa pincela sobre o uso das drogas usadas moderadamente, pois a mente humana já está doente demais, sendo um retrato de uma sociedade corruptiva (ou vice-versa). Mojica encerra sua obra com uma canção retratada no começo do mesmo: Guerra, de De Kalafe e A Turma. "Paz, paz, paz, eu sei não há mais, mas tento esquecer que vamos morrer, morrer muito cedo por causa do medo, por causa de loucos que eu sei não são poucos, que querem assim pra todos um fim, por meio da guerra fazendo varrer da face da terra tudo que existe, meu Deus vai ser triste”.



segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Don't Breathe

Direção: Fede Alvarez, 2016.
A tradução brasileira às vezes pode acabar com um filme ótimo. Poderia ter sido dessa vez, mas foi só mais uma tradução de título bosta. Don't Breathe poderia ter sido traduzido ao pé da letra que faria todo o sentido, mas O Homem nas Trevas é tão clichê que dá mais público, acontece. É mais um ótimo terror de 2016, tenso e violento, que não subestima o espectador e até nos surpreende com cenas tecnicamente bem feitas. 

O longa conta a história de três jovens que vivem em Detroit, cidade norte americana que declarou falência anos atrás (fato que por coincidência ou não torna a trama mais real), e ganham a vida realizando pequenos furtos em casas asseguradas pela seguradora do pai de um deles. Grande parte das pessoas da cidade foram embora dela, deixando-a com uma aparência de "cidade fantasma", o que de certa forma facilitava para eles na execução dos furtos. Porém, o pouco que levavam não era o suficiente para seus sonhos (como mudar de cidade), e após receberem a informação de haver cerca de 300 mil dólares na casa de um ex soldado cego , resolvem investir nele como se fosse o último furto de suas vidas.


      Sam Raimi (Evil Dead, 1981) resolveu apostar, faz alguns anos, no jovem Fede Alvarez, e juntos contam com três colaborações tendo Alvarez na direção: Panic Attack! de 2009; um remake de Evil Dead de 2013; e agora Don't Breathe. Parece que agora acertaram em cheio na produção, finalmente. Alvarez chega até a nos impressionar em algumas cenas, como num falso plano sequência quando os jovens entram na residência do ex soldado, e uma iluminação e edição de som que tornam o longa ainda mais tenso. Como o vilão do filme é cego, ele não precisa de luz elétrica, o que gera uma ótima cena no porão, porém ele tem uma audição aguçada, que é tanto um ponto fraco quanto forte, e me remeteu em certos aspectos ao bom Hush desse ano também.

A respeito das atuações, entre os jovens não há muito o que dizer, cumprem o seu papel apenas, tendo como destaque Jane Levy (Suburgatory, 2011 - 2014). O grande personagem do longa é Stephen Lang, que interpreta o ex soldado. Aqui ele constrói um vilão amedrontador, sério, afetado psicologicamente mas que acima de tudo sobreviveu a uma guerra. O que seria para ele três jovens invadindo sua casa? O medo do desconhecido, da escuridão, da violência e da morte: é a tensão que o filme nos causa. Há, além da tensão e do medo, muita violência: socos, tiros, marteladas e muito sangue. E um trabalho muito bem feito pela equipe de maquiagem. Mas apesar de tudo, é claro que o filme contém algumas falhas, como um número muito grande de balas numa arma e os famosos protagonistas sortudos, que conseguem repelir as balas em tiroteio. Com tantos pontos positivos, no fim dá pra relevar esses erros.

O ano felizmente está ótimo para o gênero de terror. Contamos com The Witch (que apesar de ser de 2015, estreou no Brasil esse ano), 10 Cloverfield Lane, Hush, e The Conjuring 2. Apesar de ter falhado tenebrosamente em Before I Wake e um tantinho em The Boy, 2016 está sendo muito agradável. Don't Breathe é mais um filme que merece ser apreciado até por quem não gosta muito do gênero: nos apresenta alguns sustos, violência, muita tensão, um vilão amedrontador e cenas muito bem construidas.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Before I Wake

Direção: Mike Flanagan, 2016.
Before I Wake virou O Sono da Morte em sua tradução para o Brasil, e é mais um filme de terror que pode decepcionar muita gente. O longa conta a história de um casal, Jessie (Katie Bosworth) e Mark (Thomas Jane), que após perderem seu único filho, decidem adotar um garoto, Cody (Jacob Trembley). Esse garotinho possui um certo poder especial, que faz os seus sonhos, ou pesadelos, se tornarem reais, e mortais. Aos poucos, as coisas vão saindo do controle e é preciso saber mais sobre o passado de Cody para lidar com tudo isso.

O filme está sendo divulgado como terror, mas será que é isso mesmo? O roteiro possui algumas camadas bem dramáticas, mas o tom de fantasia gerado a partir do poder especial do garoto acaba possibilitando a realização de terror com jump scare ou cenas perturbadoras, o que eu achei bem interessante tentar mesclar esses tons de drama e terror no longa. Porém, mesmo gostando bastante do diretor Mike Flanagan (o mesmo de Oculus, 2013, e Hush, 2016), ele acaba deslizando em algumas coisas, principalmente no ato final. Fora isso, Mike conduz bem o projeto, acertando muito nas partes de terror e horror e na transição entre sonho e realidade. Ponto positivo para a maioria das cenas do "monstro" do filme, que embora alguns jump scares fossem bem óbvios, algumas coisinhas te agozinham um pouco. 

      O grande problema do filme está no ato final, mas não é apenas culpa do diretor. Existem outros profissionais que possam ter contribuído com isso, e creio que parte do elenco e dos roteiristas ajudaram bastante aqui. Para quem viu Room (2015) sabe que Jacob Trembley é um grande nome entre os atores infantis, e aqui ele não dá novamente um show porque o roteiro não ajuda em nada, e principalmente porque seus colegas de trabalho não tem expressão alguma. Katie e Thomas fazem um casal de luto, mas tão de luto que até os espectadores ficam tristes pela falta de carisma e sintonia dos dois. E o roteiro... Tem filmes que uma lição no final se encaixa bem, né? Aqui foi tudo por água abaixo. Alguém dormiu escrevendo os últimos minutos e matou o filme. Para quem viu The Babadook (2014), há no final uma mensagem muito interessante mas que deixa aberto a interpretações; já aqui tudo é muito bem explicado, como se o espectador fosse incapaz de compreender com a narrativa do filme, e a cada frase que alguém falava era uma revirada de olho. Acho que nos dez minutos finais eu acabei me expressando mais do que o casal principal. 

      (ALERTA SPOILER) No clímax, quando Cody está dormindo e tendo pesadelos, Jessie tem que enfrentar o monstro, chamado de Homem Cancro (que original). Antes de tudo isso, Jessie investiga o passado de Cody, cuja mãe morreu e gosta muito de borboletas, e nessa investigação ela descobre uma caixa com objetos da mãe, onde tem uma borboleta de pano. Enfim, Jessie leva essa borboleta consigo, e quando finalmente encontra o Homem Cancro, que tem uma aparência horrível, numa pele cor marrom esverdeada, careca, magro e com profundas olheiras, a moça entrega a digníssima borboleta de pano e abraça o monstro. Ainda no clímax, descobrimos que a mãe do Cody morreu de câncer (oooh!) quando ele era muito novo, e não consegue lembrar muito de sua aparência, mas em sua última visita ao hospital ela estava muito fraca, careca, magra e com olheiras. Pouco antes de acabar aparece o He-Man e diz que os verdadeiros monstros estão dentro da gente e precisamos lutar para vencê-los. A parte do He-Man é mentira, mas a mensagem é essa. Linda, mas não desceu para mim justamente por quebrar com o clímax do filme. 

      O Sono da Morte é um drama com tons de terror e fantasia que possui um clímax desastroso, com uma mensagem bonita mas num tom e no filme errado, e com um elenco lamentável, exceto Trembley. Possui um horror e terror bacanas, mas peca em tantas outras coisas que talvez não valha muito a pena.

terça-feira, 22 de março de 2016

The Witch

Direção: Robert Eggers, 2015.
The Witch, ou A Bruxa, conta a história de uma família que é expulsa da vila onde moram, e acabam tendo que viver ao redor de uma floresta misteriosa. A trama se passa por volta de 1600, em uma região da Inglaterra, numa época onde várias pessoas acreditavam que Deus ainda era o centro do universo, e o fanatismo religioso predominava em parte do globo. Nesse vilarejo na Inglaterra não era diferente. A família em questão é expulsa de sua comunidade por motivos religiosos, e ainda e principalmente após alguns acontecimentos em seu novo lar, a religiosidade e a palavra de Deus falam mais alto que o próprio sangue e as relações familiares. 

Esse é o primeiro longa do diretor Robert Eggers, e ele conduz muito bem o suspense e a tensão do filme, além de sugar muito o talento do seu elenco; é um nome a ser observado. É um filme de gênero e de época, mas ao mesmo tempo nem um pouco genérico. Com uma enxurrada de filmes de terror que temos atualmente, The Witch é um suspiro de filmes que constroem uma tensão em cada cena, como The Shining (1980), por exemplo. Há várias cenas em que poderia haver grandes sustos e jump scares, mas o diretor optou por não mostrar isso, e com uma trilha sonora angustiante e takes de pura tensão é criado um clima de horror em nossas mentes, e em seguida a cena é cortada. O filme não mostra demais, nem menos, mostra numa exatidão para cada um compreender o filme da sua maneira, e não de uma maneira geral e genérica, porque quem dá sentido ao filme é quem os assiste. Então, se quiser ver um filme com grandes sustos no estilo The Blair Witch Project (1999) e The Conjuring (2013), esse não é um filme para você. Mas se você curtiu The Babadook (2014), The Gift (2015) e Goodnight Mommy (2015), The Witch merece ser visto sim.

Falando em cenas e takes, gostaria de destacar dois takes que me marcaram; um pela beleza e outro pela angústia. O primeiro envolve uma lua cheia e a silhueta de uma pessoa no centro, belíssimo, sem excesso; e o segundo envolve uma mulher e um corvo, com uma tensão criada anteriormente, esse take choca muito e dói. Aqui a filmagem é quase que exclusivamente feita com luz do sol ou de velas, o que aumenta o suspense, por não mostrar com exatidão algumas imagens. Ainda sobre, de certa forma, o visual do filme, é preciso observar a fotografia e figurino que estão impecáveis. A fotografia com a luz natural funciona muito bem, pois o filme se passa em alguma região da Inglaterra, e aqui no filme o sol não aparece; quando é dia está muito nublado, com uma iluminação fraca, aumentando a infelicidade e isolamento da família, onde é sempre cinza, e quando é noite, há apenas a luz das velas mostrando o pouco que nos é necessário para a construção do filme.

Não posso deixar de lado as atuações. A família é composta por seis pessoas, o pai (Ralph Ineson), a mãe (Kate Dickie), a filha mais velha (Anya Taylor-Joy), o filho do meio (Harvey Scrimshaw) e os gêmeos (Ellie Grainger e Lucas Dawson). Temos aqui dois atores experientes, uma jovem pupila e três crianças. Parece que quanto mais eu friso o quanto é difícil trabalhar com crianças, mais eu queimo a língua. No início do filme, achei o personagem do Harvey muito ruim, mas há uma cena em que ele está deitado onde ele dá um show de atuação para a sua idade, e os gêmeos são pouco aproveitados no início do filme, mas há uma cena em especial que a personagem da Ellie tem um destaque maior onde se consegue ver um talento a ser cultivado, e já para o final, os gêmeos tem uma ótima sintonia e funcionam muito bem como uma dupla. Mas o destaque fica realmente para Anya, que conduz o filme com uma ingenuidade mesclada com uma malícia em certos aspectos, uma bondade que por vezes é corrompida, mas tenta se redimir depois muito por conta da religião e seus pecados. Por ter um elenco tão jovem e atuando tão bem, creio o diretor tenha um dedo importante aí.

Mas é claro que o filme tem suas infelicidades. Por tratar de um tema envolvendo o fanatismo religioso, grande parte dos diálogos envolvem Deus, a Bíblia e suas passagens, e isso me incomodou um pouco, mesmo sabendo que faz parte do contexto em que o filme se passa. Há ainda a cena final que incomodou muita gente. Particularmente eu gostei, pois há uma grande margem interpretativa aqui, e refletindo algum tempo depois eu passei a gostar mais. (ALERTA SPOILER) No final, a personagem da Anya acaba matando sua mãe, sendo a última da família a sobreviver (supostamente), e esgotada, ela senta em uma cadeira e apoia sua cabeça sobre a mesa, provavelmente cochilando, e há um corte de alguns segundos. Se o filme acabasse assim, seria ótimo. Porém, ele continua em uma sequência onde a mesma acorda e se vende para o mal, fazendo parte de um ritual de bruxaria. Eu interpretei esse último final como um sonho (ou pesadelo) dela, e que o filme realmente terminou quando ela descansou então o ritual não passaria de mera imaginação. Por outro lado, a cena da venda dela para o mal, onde o bode interage com ela e o ritual todo, eu achei extremamente bem feitas e angustiantes.

A Bruxa, ou The Witch, não é um filme para todo mundo. Há uma enorme tensão do início ao fim que é construída a partir da escolha do diretor do que mostrar nas cenas em conjunto com a trilha sonora. Com atuações impecáveis, um figurino e fotografia excelentes, é um longa a ser observado e contemplado por seus vários pontos positivos, pecando em poucos aspectos.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Area 51

Direção: Oren Peli, 2015.
Um found footage horrível com alienígenas. O filme conta a história de um grupo de amigos que decide investigar o que há na famosa Área 51, uma base estado-unidense que supostamente contém corpos de extraterrestes. Já não é uma das ideias mais originais que existe, e ainda mais com um found footage fica ainda mais clichê, porém existem casos que isso dá certo, o que não acontece por aqui, infelizmente. Eu queria sentir pelo menos um pouco de medo com esse filme, pois ele se vende como um suspense e terror, só que nada dá certo.


No final do filme eu fiquei com aquele gosto amargo na boca, pois o longa tem um ritmo bacana até, o desenrolar da história é OK, você finge acreditar para o filme não perder a graça, mas quando chega ao final, é uma catástrofe. Além disso, quando acabou o filme eu tive aquela sensação de já ter visto o filme em outro local... mas é claro: The Blair Witch Project (1999). Só há uma pequena diferença de 15 anos entre um e outro. O filme acaba mostrando alguns alienígenas, e eles são extremamente genéricos: esverdeados, finos, com uma cabeça e olhos grandes; ou seja, não dão medo, pois nós já conhecemos essa figura, e em quase nenhum momento do filme eles nos apresentam um ser perigoso. Fiquei com mais medo que os garotos fossem pegos pela polícia e não pelos alienígenas! E quando você sente isso num filme de terror sobre alienígenas é sinal que tem algo muito errado, mesmo. O filme realmente não funciona, não há jumpscare que eu lembre (se tiver, foi tão ruim que nem considerei como jumpscare), a história não é plausível (4 jovens invadem tranquilamente a Área 51), e o final, socorro, que desastre. É terrível, um filme que erra em quase tudo, darei uma nota 2 pra ser simpático com os extraterrestres. 

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

It

Direção: Tommy Lee Wallace, 1990.
Um excelente filme de horror. O filme conta a história de sete crianças que vivem numa cidade do Maine (USA), que acabam tendo laços de amizade fortalecidos por todas serem atacadas por os bully da escola e por It, A Coisa. Nessa cidade, de tempos em tempos, It ressurge para fazer mais vítimas, e sete crianças acabaram sobrevivendo na sua última passagem, e anos depois A Coisa volta para assombrar novamente essas pessoas. Agora, já adultas, elas se reencontram para tentar acabar com essa maldição. Por essa questão temporal, o filme oscila entre passado e presente, ora nos mostra o que aconteceu quando eram crianças e seu primeiro contato com A Coisa, ora nos mostra o reencontro dessas pessoas e como estão suas vidas agora. Baseado numa obra de Stephen King, It é uma das melhores adaptações do escritor e um clássico dos filmes de terror, imperdível para quem é fã do gênero. It, A Coisa, aparecia inúmeras vezes para as crianças na forma de um palhaço chamado Pennywise, que está tremendamente assustador aqui. Gracioso anos 90, sem CGI e com muitos efeitos práticos, deixando essa “Obra prima do medo” ainda mais real. Pennywise é um palhaço macabro que aparece em diversos lugares para suas vítimas, e com sua conversa e truques baratos (como balões), acaba seduzindo essas inocentes almas. As aparições de It (ou A Coisa, ou Pennywise) são tremendamente aterrorizantes e perturbadoras, tanto para alguém adulto e muito mais ainda para qualquer criança, o público alvo do palhaço. O gore do filme é essencial, porém não em excesso, e o que realmente traz o terror para o filme é A Coisa. 

A trama é muito bem trabalhada, creio que seja uma adaptação fiel (não li o livro), pois são três horas de filme, então não há motivo para encherem linguiça; a obra de King realmente é extensa, então espero que essas três horas que tenham sido bem aproveitadas. Ainda assim é longo para um filme de terror: a primeira hora é sobre a origem deles, como os sete se conheceram, se juntaram e viram pela primeira vez a coisa, intercalando com seu presente; a segunda hora é sobre o reencontro deles e a volta d’A Coisa; e a última hora é o desfecho da trama, o reencontro deles com A Coisa e seus finais. Os atores enquanto crianças funcionam muito bem, o problema é quando eles crescem; assim como em outras adaptações do King, o elenco é fraco, não conseguem carregar a responsabilidade da obra para si e pecam no filme por isso. Falando em elenco, infelizmente o filme conta com apenas uma mulher no elenco principal, com outros seis homens, o que me incomodou bastante. It é um longa clássico de terror muito bem feito, com um elenco não muito forte, um pouco extenso, porém extremamente bem elaborado e com uma ótima dose de horror que o bom e velho Stephen King sabe fazer, com uma nota 8,5 eu fico feliz ter assistido ele quando adulto apenas, pois se fosse quando criança eu provavelmente teria coulrofobia. 

domingo, 29 de novembro de 2015

Another Me

Direção: Isabel Coixet, 2013.
Um filme terrível de terror. O filme conta a história de uma garota que começa a ver uma pessoa igual a ela e que começa a tentar roubar a sua identidade. A atriz principal é Sophie Turner, e talvez a única coisa que preste nesse filme; Sophie não é uma má atriz, mas o filme a desperdiça, pois não sabe qual história quer contar. Achei a trama principal bem interessante, mas muito pouco abordada no filme e muito má trabalhada; o filme tenta passar um clima de suspense e mistério, mas em nenhum momento nos deixa aflito ou com medo. 

Há outras subtramas que são completamente descartáveis, como o romance adolescente da Sophie com seu colega de escola. Até gostei do romance dos dois, mas como o filme não explorou o mistério e suspense essencial para o filme ser bom, não contribuiu em nada para a história. Contém ainda cenas bastantes clichês, de perseguição por algo desconhecido, mas que não conseguem amedrontar ninguém. Por ser um filme tão ruim, o final me surpreendeu um pouco, pois não achava que o filme poderia me apresentar algo bom, algo que eu não esperava, por ser tão óbvio e ruim o tempo todo. É um longa de terror péssimo que em momento algum te amedronta, foca em subtramas desnecessárias e merece no máximo um 4,5 pela Sophie Turner e o final não tão terrível como o resto do filme.

sábado, 28 de novembro de 2015

V/H/S

Direção: Adam Wingard, Chad Villella,
David Bruckner, Glenn McQuaid, Joe
Swanberg, Justin Martinez, Matt Bettinelli-Olpin,
Ti West, Tyler Gillett, 2012.
Um filme de terror no estilo found footage. O filme conta a história de um grupo de amigos (bem babacas, escrotos e nojentos), que filmam suas “atividades ilícitas” com uma câmera antiga, e uma dessas atividades consiste em roubar uma fita VHS em uma casa. Ao entrar nessa casa eles percebem que o morador está morto, e mesmo assim vão atrás da fita específica, porém nessa casa há uma coleção de fitas VHS e os amigos acabam assistindo algumas enquanto procuram. Considero que o foco principal não é nessa história, mas sim nas histórias que estão nas fitas, pois o filme parece que na realidade são vários curtas de uns 20 a 30 minutos, e que utilizam a história do roubo de uma fita para juntá-los num filme. Ora nós vemos o que está acontecendo na casa das fitas, e ora nós vemos esses pequenos curtas. Por ser um filme de terror, ele contém alguns jumpscares e uma boa dose de gore, mas o interessante é o clima de aflição e suspense no ar que ele deixa, pela má qualidade das imagens e o repleto desconhecimento das histórias que estão por vir. 

Todas essas histórias das fitas poderiam virar filmes de terror sólidos, uns mais bizarros que os outros, uns mais gore e outros mais de assombração e fantasmas. Li um comentário que dizia que esse filme é uma “Coletânea da Deep Web”, e é uma boa forma de resumir o filme, mas bem light talvez. Ao final da maioria dessas fitas que o grupo assiste, eu me peguei com um cara de nojo e total falta de noção do que tinha acabado de ver, de tão surreal e bizarro que eram, porém elas funcionam de certa forma, não é de todo o ruim. Pela curiosidade que os pequenos curtas trazem, algumas doses de jumpscares e gore, considero um filme entre 6 e 6,5.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

The Visit

Direção: M. Night Shyamalan, 2015.
O novo filme de suspense de M. Night Shyamalan. O longa conta a história de dois irmãos, Becca e Tyler, que vão passar uma semana na casa de seus avós que nunca conheceram. A trama é simples, mas muito interessante e bem dirigida. Após o grande estrondo que foi The Sixth Sense em 1999, a carreira de Shyamalan decaiu consideravelmente, mas em The Visit ele demonstra que ainda sabe fazer cinema. O filme conta com um plot twist legalzinho, cenas de mistério e suspense boas e alguns jumpscare que funcionam. O filme é todo filmado em primeira pessoa, por duas câmeras, pois Becca está querendo fazer um documentário, então cada um dos irmãos empunha uma câmera e passa a gravar a semana naquela casa desconhecida com seus avós. Depois de mais de quinze anos de The Blair Witch Project, a onda de filmes de terror e suspense em primeira pessoa parece ainda não ter encerrado, mas aqui essa técnica funciona, pois não parece jogada no roteiro sem nexo nenhum com a história, e as cenas são bem filmadas e editadas. 

Algumas pessoas consideram até como um filme de comédia de terror, pois contém várias partes engraçadas encenadas pelos protagonistas que tem uma sintonia muito boa frente ás câmeras, mas eu acho que o foco maior aqui é realmente o mistério que envolve essa casa e os avós. Shyamalan retorna com um bom filme, não muito original, mas funcional do que se propõe a fazer, e ainda conta com uma das marcas essenciais do diretor, o plot twist, que é bem interessante até. Enfim, pra quem gosta de suspense, filmes em primeira pessoa e alguns jumpscare, o filme vale a pena sim: nota 8. 

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Tucker & Dale vs.Evil

Direção: Eli Craig, 2010.
Uma comédia satírica de filmes de terror slashers incrível. O filme conta a história de Tucker e Dale, dois caipiras que estão de férias em nova casa do meio do mato, e, paralelamente, um grupo de jovens universitários que decidem acampar no meio do mato. Aqui a gente vai encontrar muitos clichês de filmes de terror onde jovens vão acampar longe da cidade e acabam sendo assassinados por algo macabro. Só que aqui esses clichês são muito explorados e bem feitos. Tucker e Dale só querem cuidar da casa nova e pescar, mas por sua aparência “não muito agradável” para os jovens brancos de classe média dos EUA, são vistos como psicopatas maníacos. É quase que impossível não comparar esse filme com “Shaun of the dead”, e arrisco a dizer que este chega perto, porém não tão engraçado quanto. Achei a ideia do filme muito boa, satirizar esse subgênero do cinema que se popularizou tanto após “Halloween”, mas não os fazendo passar por ridículos, e sim os homenageando. 

Gostei bastante da mensagem final também, que resumindo é “o seu preconceito pode te matar” (não considero isso um spoiler, pois sendo uma sátira de slashers já se presume algumas mortes, né?). Dos atores eu não conhecia nenhum, mas destaco os dois principais, Alan Tudyk e Tyler Labine, que interpretam Tucker e Dale, estão muito bem no papel, e os outros universitários eu acho que poderiam ser quaisquer atores, pois não tem muito o quê explorar deles. Alguns pontos negativos talvez fiquem por conta dessas atuações e no exagero do desenvolvimento da história (se bem que para algumas pessoas possa ser um ponto positivo por ser uma sátira). É um filme bem divertido de ver com os amigos tomando uma cerveja, chega a uma nota entre 8,5 e 9 facilmente.